quinta-feira, 17 de julho de 2014

Dodge Charger RT 1978 Vermelho Verona

                  Seu João Luis Amável Marcos, falecido, pai da minha esposa Valquíria, foi o responsável indireto (e totalmente direto) na aquisição deste RT, ele e sua C-10.  Como já falei aqui em outras postagens, seu João foi proprietário da Chevrolet C-10, ano 73, que uso hoje, diariamente!
                       Pois bem, na época, alem da Chevrolet, seu João era também  proprietário de uma grande serraria, acho ate que a maior da região!
                       Bueno, naquela época a C-10 foi uma pick-up de uso diário, da lida, do trabalho pesado mesmo. Seu João há usava diariamente, assim como um dos seus funcionários. Talvez, aguçando um pouco a imaginação, possa-se imaginar o quanto e como, foi tratada naqueles anos. Também os maravilhosos lugares que passou, nos rincões deste estado, nas inúmeras derrubadas de mato.
                       E, assim como o destino de certos carros é parecido com o de algumas certas pessoas, esta, nasceu para não ser poupada.  Assim como foi destratada no passado, hoje, também, assim a é!
                       Estou falando sobre a Chevrolet do meu sogro pois ela foi o pivô, a causa direta na aquisição do dodge da postagem de hoje.
                        Voltando um pouco no tempo,  eu , ao infiltrar na família da minha esposa, conforme ia me familiarizando, ia , aos poucos, tomando certas liberdades. Não poderia ser diferente, claro, comecei a enaltecer o que gostava, ou seja, os Dodges!!
                     Conforme o tempo foi passando, minhas ideias sempre batendo na mesma tecla, aos poucos, de tanto eu falar, seu João também começava a perceber (forçosamente) as inúmeras qualidades que os dodges tinham (e tem).
                    Como o tempo é implacável para todos,  a C-10 do seu João também , aos poucos, sofria a severa e impiedosa ação do serviço pesado. Certo dia conversando com meu sogro, este relatou um defeito na Chevrolet, a qual o atormentava. Ela começou a apresentar problemas no trambulador de marchas, que seguidamente, acavalava as marchas pela folga excessiva nos seus garfos!
                  Com o passar do tempo meu sogro acabou trocando seu  trambulador de marchas por um novo, mas de péssima qualidade , ou talvez, de péssima mão de obra! Hoje confesso, sem medo de cometer injustiças, sinceramente, ele era muito mal atendido pelas oficinas em que levava sua Chevrolet! Pagava muito e tinha pouquíssimo retorno! Como dizem nos dias de hoje: "Custo benefício nota 100 X 0!" Ou seja, custo 100 e benefício 0 (zero) !
                      Certa vez, em uma janta, meu sogro confessou que estaria descontente com a C-10. Gostava da camionete, mas por não ter uma solução prática para o seletor de marchas, cogitava ate mesmo em vendê-la! Deixei passar o jantar, depois lhe perguntei se não gostaria de colocar uma caixa de 4M do dodge na C-10. Ele, imediatamente, me perguntou:"-Mas e dá??!!" Eu disse a ele que era uma barbada, as caixas são muito parecidas e colocando uma de 4M ele nunca iria mais se incomodar com as acavaladas de marcha!
                       Conversa vai , conversa vem, seu João agora só pensava em colocar uma caixa de dodge na Chevrolet! Certo dia então, disse a ele que, quando pudesse parar a C-10 por uma semana eu colocaria uma caixa pra ele. Assim foi feito, alguns dias depois, meu sogro estava andando faceiro da vida com sua Chevrolet, sem nunca mais pensar em se preocupar com marchas acavaladas.
                       Por algum tempo, ele foi incisivo em querer pagar pela caixa, assim também pelo meu serviço na oficina. Mas, apesar de suas insistentes súplicas, nunca aceitei dinheiro como pagamento! O que tinha feito foi um presente meu à ele pelo transtorno de ter de me aguentar na casa dele kkkk. Sendo assim, correu o tempo.
                   Seu João, como tinha serraria, automaticamente, comprava muito mato fechado! Principalmente na serra do RS, onde sempre teve muitas árvores e reflorestamentos espalhados por quase todos os municípios da serra. Seguidamente ele se embrenhava nos confins da serra, de estradas horríveis, de municípios pequenos, rodeados de muito mato para, de lá, tirar matéria-prima para seu ofício!
                       Certa vez, em uma destas viagens, ao sair me disse que traria um presente para mim! Perguntei a ele do que se tratava, mas não quis me dizer! Ele apenas me falou que tinha encontrado uma coisa que eu iria gostar muito. Um presente encravado no interior de um pequeno município da serra gaúcha e que quando retornasse, na última carga de mato, traria junto.
                        Alguns dias depois, encosta na frente da minha oficina o Ford F700 do seu João. O seu motorista, Jorge, desceu e veio falar comigo para ver onde descarregar o presente. Na hora fiquei surpreso!! Fui até na rua e me caiu os butiá !! Na garupa do Ford, um Charger RT!!           

                          Na época em que o carro chegou as minhas mãos não tive a menor dúvida quanto ao seu destino, passar o machado. Se hoje fosse, com certeza, a história teria outro desfecho.  Para termos uma ideia de como era o dodge, ele tinha o motor ruim, caixa muito boa,  teto sem vinil e sem frisos, pintado de branco. Ate que não tinha muita massa plástica espalhada pela lataria, só em alguns pontos, mas nada ao extremo. Este, nem cheguei a andar, foi logo desmanchado.

                                     Na próxima postagem  Ford Galaxie Landau 1979 Limosine 

sábado, 12 de abril de 2014

Dodge Dart 1979 Bege Cashmere conversível

                          Quando comecei a namorar a Valquíria, hoje minha mulher, unia o útil ao agradável procurando dodges e passeando aos finais de semana. Além das inúmeras qualidades dela como pessoa, ainda é muito parceira, aturando ate hoje minhas neuroses em relação aos carros.
                                Certa vez em um sábado à tarde, estávamos perambulando em Porto Alegre, lá pelos lados do bairro Boa Vista, mais precisamente próximo a praça do Japão. Este bairro é totalmente arborizado e bonito por natureza. Nós olhávamos as antigas casas residencias que ali existem, sonhando com a nossa! Quando de repente, vejo, lá no fundo do pátio de uma destas casas, um dodge atirado! Estava em baixo de uma grande árvore, quase que totalmente encoberto pelas folhas, ao lado da casa, mais para o fundo, um enorme galpão com um Aero Willys 2600 ao seu lado.
                          Imediatamente parei o nosso carro e me aproximei. Como a casa estava totalmente fechada e não se via movimento, fui lentamente me chegando para tentar enxergar melhor o dodge. Aos poucos, conforme ia me aproximando do dodge, ia tendo uma visão inacreditável. Era um Dart 79, Bege Cashmere, com a capota cortada. Quando parei ao seu lado, quase caí duro!
                            O enorme galpão ao lado da casa tinha uma das portas entreaberta, como a curiosidade era grande, fui até lá dar uma espiada! Ao chegar percebi que lá dentro existia uma grande oficina, bem antiga. Mas notava-se claramente que há muito estava sem movimento. Receoso de entrar, iniciei uma bateria de palmas e chamados, que, em instantes, rendeu frutos. Logo apareceu um senhor, de idade avançada, que, de pronto, me atendeu.
                          Me apresentei a ele e começamos a conversar.  Em um primeiro instante este senhor se demonstrou muito amigável e prestativo. Mas sua cara alegre e descontraída mudou completamente quando lhe perguntei a respeito do Dart! Imediatamente o mesmo fechou a cara e a conversa tomou outro rumo. Naquele momento ate pensei que o velho homem teria algum problema mental ou coisa assim, pois não tinha lhe ofendido e muito menos sido indelicado!
                           Se pairou no ar um silêncio, o clima ate então agradável ficou tenso! Após alguns instantes, o velho começou a me interrogar de forma agressiva, como se fosse um policial e eu... um bandido! Logo em seguida, como sou bem destrinchado e sei usar as palavras quando me convém , ele baixou a guarda. Assim, mesmo percebendo que ele agia defensivamente,  passamos novamente a conversar de uma forma mais civilizada.
                           Aos poucos, percebendo que eu realmente não conhecia nada daquele carro, passou a narrar uma fantástica história, quase inacreditável! Um dos mais impressionantes relatos, ao qual, tive enorme prazer de escutar!
                         O Dart Cashmere foi comprado zero quilometro para presentear a esposa de um milionário da capital. Esta senhora tinha um desejo ardente, possuir um carro conversível, então, após poucos meses de uso, no mesmo ano de ter sido tirado da agência, ou seja, no ano 1979, o carro foi mandado para uma grande oficina para executar o "criminoso" serviço. O Dart tinha baixíssima quilometragem, marcava no hodômetro 4500km!!!!
                            Segundo relato dele, depois de vários  meses, a oficina que cortou o teto não conseguiu implantar reforços estruturais nas longarinas do carro. O Dart ficou extremamente fraco e sem resistência. Então, sem concluir o serviço, o dodge ficou parado por dois anos no mesmo local. Depois de muita discussão entre o proprietário e o dono da oficina, o Dart foi levado para outra oficina. O proprietário então iniciou um longo processo judicial contra a primeira oficina. Conforme a pendenga judicial ia seguindo, foi decretado a esta outra oficina em que ele estava agora, a proibição de continuar e findar o serviço, pois o carro era prova material no processo judicial. 
                            Passados mais algum tempo, em torno de dois anos e meio, a segunda oficina como não podia mexer no dodge, mandou que o proprietário retirasse o carro de lá. E assim, mais uma vez o pobre Dart foi carregado. Sem ter onde coloca-lo, um amigo do proprietário, que era conhecido deste senhor que eu falava no momento, lhe pediu que deixasse o carro ao lado da oficina por alguns meses. Este, sem compromisso, disse que sim. Resumindo, o Dart foi mandado para a oficina deste senhor que eu conversava, por um amigo do proprietário do Dart.
                             Assim, os anos foram passando, a justiça lenta como sempre,  ninguém importou-se mais com o Dart Cashmere. O maravilhoso carro foi deixado de lado, e, com o passar do tempo, descartado como lixo.
                        Passaram-se mais alguns anos, o carro parado ao relento, embaixo da mesma árvore em que estava agora, sofrendo os pesados efeitos do tempo, apodreceu! 
                             Este senhor que eu conversava, perdeu o contato com o amigo do proprietário do Dart, que nunca mais apareceu! O dono, provavelmente desgostoso, abandonou o carro completamente.
                          Anos mais tarde, na tentativa desesperada de solucionar a questão, decidiu ir atrás do dono do carro. Segundo informações levantadas por ele, descobriu que, tanto o proprietário como a esposa, haviam morrido em um acidente de trânsito, passados já  alguns anos. Pensou ele:"-Fiquei com um abacaxi nas mãos!"
                             Me disse então, que no momento em que cheguei perguntando do Dart, ele achou que eu poderia ser mais um dos inúmeros chatos que iam até lá para comprar o carro, fazendo propostas indecorosas, ou talvez, algum parente dos donos. Algum tempo depois percebi que não foi bem este o motivo, mas, aí já é outra história.
Já desmanchado e empilhado, pena não ter algumas fotos dele rodando, ou quando eu o comprei.

Nota-se que existiam pontos de corrosão grandes por baixo dos para-choques e lanternas, lugares onde acumulava muita água.
                             Bom, depois de toda esta conversa, que durou umas duas horas, lhe fiz a pergunta que estava na ponta da minha língua, desde que cheguei lá: "-O senhor me vende este carro??" Ele prontamente me respondeu:-"Como vou vender? O carro não é meu!! E se eu te vendo ele e alguém aparece aqui para pega-lo??" Bom, lhe respondi que achava muito pouco provável alguém ir até lá para resgatar um carro velho, com o teto cortado e abandonado ao relento por mais de 10 anos. Além de que seu proprietário já era falecido. Quase impossível! O carro com certeza não teria mais como ser refeito, ainda mais naquela época, em que os valores eram banais.
                            Reconheço que quando coloco uma coisa na cabeça, viro um verdadeiro chato, fiquei insistindo na minha opinião, até que me caiu a ficha!! O velho queria vender o Dart, acredito que estava louco por se livrar daquela sucata! Estava só me fazendo acreditar que não podia, para elevar seu preço!!! Percebi isto quando começamos a falar em valores, tudo que eu oferecia, ele logo retrucava falando do risco. Neste momento lhe perguntei: "- Por quanto o senhor quer vender?? Me diga o preço e aí eu faço uma contra proposta".
                            Não lembro bem quanto foi o valor que ele me pediu, mas ofereci um pouco menos. Ele parou, me olhou por algum tempo e disse que iria pensar. Peguei o telefone dele e disse que iria ligar em dois dias. No dia marcado liguei e ele aceitou de pronto minha proposta, com a condição que eu levasse o carro durante a noite, ele tinha medo de que alguém visse que ele tinha vendido o carro.
                            Tentei explicar que tudo era loucura da cabeça dele, que um dodge inteiro não valia nada, imagine aquele. E também que eu iria desmanchar o carro, não iria rodar. E principalmente que o carro não tinha sinalização nenhuma, como eu iria rebocar um carro nestas condições à noite?? Durante o dia já era uma loucura! Então, acabou concordando.
                           Combinei com meus fiéis escudeiros e amigos Chico e Leandro Pellegrinni para irmos buscar o carro no sábado seguinte. E assim foi feito, por volta das 9:hr da manhã do sábado estávamos em frente a oficina onde estava o Dart Cashmere, comecei então a prepara-lo para a viagem de uns 120km até Taquara. Tínhamos ido com o LeBaron 80, cinza, que contei nas postagens passadas, que comprei na cidade de Parobé. Nesta época, o Lebaron ainda não tinha sido pintado, era horrível. Muitos podres, capô e pára-lamas de várias cores e tampa do porta-malas "pintado" de massa plástica! Era um zumbi!                                           Bom, conforme ia preparando o Dart para a viagem, percebia, em vários detalhes, que o carro havia parado ali novo!! Os estofamentos tinham o tecido original ainda, rasgados, mas originais. Os forros das portas pareciam peças novas, mas envelhecidas, não pelo uso, mas pelo tempo!! O Rádio toca fitas Chrysler no painel parecia que ainda funcionava. Até a almofada do painel estava intacta! Incrível!! Não parava de comentar com meus amigos/ajudantes, realmente estávamos diante de um crime, um carro novo abandonado!
                            As laterais do carro, portas e para-lamas tinham pintura original, com as listinhas originais. Assim como o capô e tampa do porta malas, apesar de estarem verdes de limo, mas impecavelmente lisos.
                          Bom, o dia foi passando e somente terminei os preparativos pelas 4:00hrs da tarde. Enfim, estávamos prontos para sair, pneus cheios, freios soltos e cambão atrelado nos dois dodges . Antes de irmos embora, o senhor ainda me ofereceu a Aero Willys que estava também abandonada ao lado do galpão, mas esta ficou lá! Então, paguei o homem e saímos em retirada, faceiros da vida! Coisa que eu adoro até hoje, é uma empreitada como esta. Tempo bom aquele!! Como me divertia trabalhando!
                            Eu e o Chico no LeBaron e o Leandro na direção do Dart, difícil imaginar a cena, era ridículo aquele carro conversível rodando, totalmente cheio de limo, podre, voando folhas de dentro. O LeBaron não ficava longe, pois eu ainda não tinha começado a arrumar os podres que tinha, então, eram dois dodges feios de vida.
                            Logo na saída, paramos em uma sinaleira de uma rua bem movimentada de Porto Alegre, se não me falha memória, rua Anita Garibaldi, pouco antes de chagar na avenida Carlos Gomes. As pessoas olhavam apavoradas para os dois carros. Nunca rimos tanto dentro de duas sucatas ambulantes. As pessoas gozavam de nós, ouvíamos dezenas de frases que deveriam ter sido escritas para poder lembrar hoje. Uns caras gritaram de dentro de um carro: -"O da frente é que está puxando ou é o de trás que esta empurrando??!!". Nós dávamos risadas. Outros gritavam:"-De onde desenterraram estes, tem mais????". Adiante mais  outros gritavam:"-O ferro velho mais próximo fica a tantas quadras!!!" ou outra, "Corre que vocês ainda alcançam o caminhão do lixo!!" E foi assim ate a saída de Porto Alegre, várias coisas deste gênero.
                             Imaginem este sucatão da foto abaixo, com um dos pára-lamas dianteiro verde, o outro branco, sem o bico de fibra com os faróis amarrados com arames. Eu tava pedindo para ser escrachado!


                            Bueno, a viagem transcorria maravilhosamente bem, sem problema algum. Que modéstias à parte, coisas como esta, eu domino plenamente. Quando entramos na RS20, passado o movimento, eu e o Chico começamos a escutar gritos, era o Leandro, que estava dirigindo o Dart, gesticulando e gritando para parar. Encostei na beira da estrada, descemos, atravessamos a pista e sentamos na macega alta do acostamento do lado oposto. Conversamos ali por bastante tempo, rindo, cabeça leve, sem nada dentro!! Cada vez que passava um carro, quase parava incrédulo com a visão, e nós, só risadas!!
                              Quando chegamos em Taquara já era noitinha, escurecendo fomos até minha oficina e largamos o Dart lá, levei meus comparsas para casa e fui para a minha.
                            No outro dia, chegando a oficina, a primeira coisa que fiz, foi examinar o Dart conversível. Pude notar claramente que o carro era novo!! Apesar do tempo, a suspensão do carro era imaculada, não tinha uma pequena folga, as balanças inferiores, que em um carro bastante rodado, sempre se nota alguma batida, pareciam novas!! O carro não tinha chaves, portanto o porta-malas não tinha sido aberto por mim. Depois de lidar um pouco, consegui abrir. Levei o maior susto do mundo, tinham várias caixas velhas e muita sujeira dentro, mas o mais impressionante, foi a família inteira de ratos que pularam para fora quando abri a tampa. Quase pularam em meu rosto, os bichinhos estavam apavorados. Tinham feito uma grande viagem, e por certo, não sabiam onde estavam!! E nem passagem pagaram!!
                           No mesmo dia fiz o motor funcionar, me apavorei pelo estado, um motor muito justo e afinado, nem velas troquei. A caixa de 4m era justa como se fosse nova. Decidi então, que antes de desmancha-lo, daria algumas voltas pela cidade com aquele carro.
No dia em que saí com ele para a primeira volta, improvisei um meio teto de lona na parte dianteira. Parece um daqueles Jipes de safari!! 

Um carro que não rodou 5000km, empilhado e sucateado. Tem cada história com estes dodges que fico até abobalhado!
                          Então acabei por fazer uma revisão geral no carro, suspensão e motor. Lavei bem o carro com escova e OMO, não foi nada fácil tirar o limo que estava impregnado na lata. Por dentro passei lava jato até nos bancos!! Bom, o carro estava limpo e regulado, pegava bem e o motor funcionava maravilhosamente. Fiquei abobado com o assoalho, depois de arrancar o carpete apodrecido, mal tinham alguns pontos de ferrugem. A cor bege chegava a querer ensaiar até brilho. Cada vez mais me sentia atordoado com o que tinha sido feito deste Dart
                       Porta direita, tenho ate hoje guardada, assim como o volante caramelo.






                          Bom, duas semanas depois, em um sábado de manhã, peguei o Dart conversível e fui passear no centro de Taquara, o carro até era bonito! Ridículo, mas bonito!! Muitas pessoas e amigos me acenavam, uns achavam horripilante outros sensacional! Certamente a frase, "Ame-o ou Deixe-o", se enquadrava perfeitamente a este carro.
                          Depois deste primeiro passeio, saí com ele em mais duas ocasiões pela cidade, depois, encostei na oficina. Não demorou muito vendi o motor do Dart para um cliente de Taquara. Foi colocado em um Charger R/T 1977, branco, do senhor Ivo Bauer. Este Charger foi tirado zero quilometro pelo senhor Ivo. Este senhor foi fundador da primeiras fábrica de fogões a lenha da região, os famosos "Fogões Três Coroas". Muitos anos depois, a fábrica de fogões do sr. Ivo faliu e o Charger foi vendido. O senhor Ivo Bauer morreu já fazem uns 10 anos. E, que eu saiba, o Charger está salvo, acho que em Caxias do Sul.
                        O meu próximo carro foi um Charger RT 1978 Vermelho Verona, que ganhei de presente do meu sogro, mas esta história eu conto na próxima postagem.
                         Abraço aos amigos!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ford Galaxie Landau 1979 azul

                   
                     Como contei na postagem anterior, a compra deste Galaxie talvez tenha motivado e dado início a grande paixão que tenho hoje pelos cachorros. Pois foi por ele que acabei comprando, e posteriormente me apaixonando, por um fiel amigo. Sentimento este que ao longo dos anos se tornou crescente em minha vida, não só pelos cachorros, mas por todos os animais.
                        Bueno, na primeira metade dos anos 90, bem diferente dos proprietários de dodge, existiam dezenas, talvez centenas, de proprietários de galaxies aqui na região, estes , ao contrários dos donos de dodge, tinham um poder aquisitivo alto. Estas pessoas amavam seus carros, e, naquela época, tinham uma relativa dificuldade em encontrar peças e mão-de-obra qualificada. 
                 Aos poucos comecei a agregar estes clientes a minha oficina, oferecendo serviços e, principalmente, peças! Coisa rara na época, e acredito ate hoje, uma pessoa que alem de consertar, tenha peças de reposição. Fato este, que mesmo hoje em dia, deva atormentar os donos de antigos e também das oficinas. Não bastasse a dificuldade em encontrar um bom profissional, existia a indisponibilidade de peças de reposição. Então, na verdade, o cliente unia o útil ao agradável. 
                          Bom, o pivô desta postagem, foi um médico aqui de Taquara, hoje falecido há uns 15 anos. Este, na sua época de ouro, havia adquirido um Landau 1977, prata continental, zero quilômetro. Após anos e anos com o carro, mesmo ele tendo os desgastes do uso diário, ainda era um carro impecável. Interior original e maravilhoso, pintura quase toda original , salvo pequenos retoques.
                           Por ser um carro de uso diário nos primeiros anos, acredito que entre 1977 e 1985, o Landau foi bastante usado. Como nestes anos de uso contínuo foi ganhando uma quilometragem bem alta, logicamente os problemas foram aparecendo. Na contra mão deste enorme uso, veio a carência de peças e também de uma boa oficina para sua correta manutenção.
                          Fato me relatado pelo antigo dono, que no inicio dos anos 80, o motor do galaxie apresentou uma falha crônica. Levado em diversas oficinas, ninguém conseguia resolver o problema. Passado um tempo, em mais uma tentativa,  este senhor levou o carro a outra oficina. Na mesma, foi informado que o motor precisaria retífica. Como dinheiro não era problema, foi autorizada a abertura do motor. 
                              Passado alguns dias , motor pronto, o proprietário foi chamado para levar o carro. Para resumir a história, que me parece, foi bem discutida na época, dois meses depois da suposta reforma, o bloco do 302 expulsou uma de suas bielas de dentro, ocasionando a quebra do bloco.
                   Não sei dos detalhes, mas  o que ocorreu na época, meados dos anos 80, acarretou em uma prematura e provisória aposentadoria do galaxie por seu proprietário. 
                           .  Passaram-se alguns anos e o galaxie parado na garagem do médico. Certo dia, lá por 1990, entra o médico na minha oficina. Depois de muita conversa, marquei de passar na casa do novo cliente para olhar o carro. Resumindo, alguns dias depois o famigerado automóvel voltava as ruas, belo e pleno como nunca. Usando um bloco de um Maverick V8 que eu havia comprado ano antes em um ferro velho, lógico, depois de feito.
                               Pensando nestas coisas hoje, eu vejo como é fácil ganhar respeito e credibilidade, logicamente, quando as duas partes envolvidas em um negócio seguem a risca suas obrigações, ou seja, o contratado executa o serviço assim como o contratante paga pelo tal. É fácil!
                                  Agora entra o meu galaxie da postagem de hoje! Tempos depois de fazer o motor e ressuscitar o galaxie , o médico retornou a usa-lo diariamente e também incorporou minha oficina como mão-de-obra exclusiva do galaxie. Assim, seguidamente aparecia para uma revisão. 
                                 No ano de 1993, o carburador do Landau apresentava uma grande corrosão interna, acho que pela adição do álcool à gasolina, então, após conversar com meu cliente, achamos conveniente  trocá-lo.
                             Naquele momento, carente de peças do galaxie, fui a cata de um carburador. Após falar com  pessoas do ramo, na época, me falaram de um senhor aqui da cidade, também proprietário de galaxie, que teria um à venda. Fui ate ele para tentar comprar o bendito carburador. 
                        Chegando lá, conversa vai e vem, este senhor me disse que tinha dois Landau, um 1983 de seu uso diário, e um 1979. Este último havia passado um ano antes por uma reforma. Mas, fato comum na época, a decepção do proprietário após o termino do serviço o fez abandoná-lo em um terreno baldio ao lado de sua casa. Na hora meus olhos brilharam pela possibilidade de uma nova aquisição. Como tudo nesta vida está traçado, comprei o galaxie.
                       Ele, aí ao lado do F600, anos depois da compra.

   
                      Depois de acertado o preço voltei a oficina. No mesmo dia, momentos depois, munido de algumas ferramentas, gasolina e bateria, fui resgatar o galaxie. Uma hora depois voltava a  oficina dirigindo  meu novo galaxie. 
                       De mão de um carburador, contatei meu cliente (médico) para na próxima semana colocar o novo carburador, ao qual, ate hoje, não sei seu paradeiro. Pois como já relatei na postagem anterior, foi roubado durante o final de semana. Bom, depois arranjei outro carburador para meu cliente, e no somatório final, ainda fiz um ótimo negócio comprando o galaxie, mesmo perdendo o carburador.           
                    Na próxima postagem Dodge Dart 1979 Bege Cashmere, com apena 5000km!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Um Dart Amigo

                            Esta é uma postagem um pouco diferente das tantas outras que fiz até agora, e também das que estão por vir.  Quero escrever um pouco sobre um grande parceiro que tive, me acompanhou por longos 16 anos, que eu tenha conhecimento, um recorde de longevidade.
                             Ao certo, teria que escrever sobre este meu amigo, na próxima postagem. A desta, seria um Galaxie Landau, azul, 1979. Mas como este amigo apareceu justamente por causa do Galaxie, conto uma postagem antes. 
                             Nossa amizade começou no ano de 1992, logo após ele ter nascido. Com não mais de dois meses de vida, mais precisamente em maio daquele ano, nos conhecemos e dali em diante nosso convívio passou a ser diário.
                         Hoje, vejo que o significado daquele encontro para o meu crescimento espiritual, foi algo muito maior do que representou naquela época. Aquele momento em minha vida foi como ultrapassar uma grande barreira, quebrar o paradigma do meu ser, subir um degrau, sei lá como explicar. Algo muito bom para o meu "eu" começou a mudar! Mesmo que, na época, sem minha exata percepção do significado! Claro que tudo lentamente, quase imperceptível! Tudo isto, exatamente um ano após eu ter mudado para o endereço da minha quarta oficina.
                             Naquele ano, 1992, a minha oficina era muito agitada, por vezes, tinham serviços saindo pela ladrão. Clientes eram vários, de muitos lugares do estado do Rio Grande do Sul. A dificuldade em encontrar peças facilmente era enorme, em contra partida, a oferta de dodges se fazia enormemente. Então, foi uma época em que eu comprava todos, ou quase,  dodge's que aparecessem na minha frente, não interessando o seu estado, comprava pelas peças.  Época em que algumas poucas delas poderiam valer mais do que um carro inteiro. 
                             Lembro que o feriadão da Páscoa daquele ano tinha caído no final do mês de Março, de noites já bastante frias. Tinha, na semana anterior ao feriadão, recém comprado um Galaxie Landau para desmanchar. O carro funcionava perfeitamente, tinha um bom motor, contudo o Galaxie havia passado por uma péssima reforma e seu antigo dono se desgostou tanto do serviço que acabou vendendo logo em seguida. Mas esta história eu conto na próxima postagem. Eu o comprei apenas porque precisava do carburador Motorcraft para um cliente, loucura, hein?? 
                             Bom, no finalzinho da quinta-feira, quase início do feriadão de Páscoa, terminei e entreguei alguns carros que estavam na oficina, tranquei tudo e fui para casa tomar um banho. Mais tarde, naquela mesma noite, iria na famosa "colheita da marcela", fato este, que já relatei aqui no blog.
                             Assim foi feito, a noite transcorreu maravilhosa, muita diversão e nada de problema. Como cheguei em casa alta madrugada, fui dormir. No outro dia, ou seja , na sexta feira santa, não fui até a oficina. No sábado ao chegar lá, o Galaxie Landau que tinha comprado para tirar o carburador estava com o capô aberto!! Fui olhar e .... putz, roubaram o carburador!!! Na hora fiquei puto da cara, tinham levado a única peça que eu precisaria na semana seguinte!!
                                                Aí que entra o meu amigo!
                            Alguns dias antes, um criador de cachorros de raça havia me oferecido um filhote de Rootweiller, na época, por U$300,00. Hoje acho que é caro, mas naquela época ninguém, ou quase ninguém, falava nesta raça de cachorros. Fui até lá, olhei a ninhada e peguei um. De cara, olhei para ele e disse:"-Tu parece um Dart, e este vai ser teu nome". 
Aqui já com uns seis meses de vida, no escritório da minha oficina na rua Humberto Castelo Branco, 2344. Minha mulher Valquiria segurando.
                                Bom, levei ele direto a um veterinário e pedi que fizessem uma "revisão geral".  Foram feitas todas as vacinas que ele tinha direito, em seguida levei meu novo amigo para seu novo lar, minha oficina. Na minha cabeça da época, ele seria um empecilho aos larápios de plantão. E não me enganei.
                                Criei este cara como um membro da minha família. Durante todo o tempo da passagem de nossas vidas em comum, por muitas centenas de vezes ele me fez sorrir, por algumas, me fez sentir pena, por outras raiva e, por apenas uma vez, chorei por ele! Assim, sucessivamente, me proporcionava sentimentos que normalmente só são afins entre seres humanos! Enfim, os sentimentos que tive por ele foram os mais variados possíveis. Exatamente como sentimos , as vezes, por qualquer membro da nossa família.
                              Este sujeito, tenho hoje plena convicção , foi um dos responsáveis pelo meu crescimento espiritual, como homem ser humano! Digo isto, pois, até então, antes de ter tido a honra de compartilharmos uma boa parte de nossas vidas juntos, eu, havia sido criado desde a infância, na companhia de cachorros, gatos, passarinhos e uma infinidade de outros bichos. Mas nunca antes sentido o apego humano que um animal pode nos proporcionar. A partir dele, comecei lentamente, a ver o mundo animal com outros olhos. Minha adorada e estimada Polara, que tenho o enorme prazer da companhia hoje, deve a ele uma grande parcela deste sentimento paternal incondicional que sinto por ela.
                                Bueno, conforme ele foi crescendo, também foi impondo seu respeito a todos que iam até minha oficina. Entre os meus clientes e amigos, também ele fez vários amigos, que ate nos dias de hoje perguntam. Houve uma época em que todas as quintas feiras à noite saia um churrasco lá na oficina. O Dart passava o tempo todo do evento amarrado em uma corrente, ao lado da sua casinha. Durante o churrasco, todo mundo, enquanto degustava um pedaço, dava outro para o Dart. Ele comia como um louco nas quintas. Acho até que nas quartas ele já sabia: "amanhã é dia de churrasco"!
Foto tirada no mesmo dia da anterior, no escritório da minha oficina
Nesta época, ele já era adulto, tinha uma cara de poucos amigo, mas era só a cara! Foi um grande companheiro que vivenciou uma boa parte da minha vida.
                             O tempo foi passando, nós dois ficando cada vez mais velhos, e amigos. Nunca mais notei que faltasse uma peça sequer em meu estoque. O amigo Dart me acompanhou e presenciou várias coisa junto comigo. Entre estas tantas, muitos dodges, conversas com amigos, conquistas, alegrias, angustias, tristezas, dinheiro, falta de dinheiro, e, também, a época penosa do guincho. Esta em que quase foi morto por assaltantes. "- Passamos trabalho naquela época, em meu velho??" 
                                 Enfim, tudo que se passou comigo, ele sempre ali, calado e ativo. Sempre louco por um carinho e um afago. O cara que formatou a frase "O cachorro é o melhor amigo do homem" estava coberto de razão, não tem outro igual.
                                 Certa vez, eu parado na frente da oficina, portão fechado,  o Dart pelo lado de dentro da cerca, praticamente escorado nela para ficar perto de mim,  de repente, um péssimo elemento parou ao meu lalo e largou um pérola "negativa", disse ele: "Se eu quiser, eu entro aí e mato este cachorro"!! Aquela frase, naquele momento,  foi tão inusitado que pensei ser um pesadelo!! Mas minha resposta a ele foi tão instantânea que ate mesmo eu me impressionei tempos depois!! Disse ao sujeito, quase imediatamente após sua afirmação: -"Não criei este cachorro para pegar ladrões, portanto, tu não precisas querer matá-lo para entrar aí. Quem vai te pegar se tu entrar aí sou eu, tu precisas ter medo é de mim, não dele! E outra coisa, se nos próximos meses esta oficina for arrombada, não interessa que foi, para mim foi tu. Então te cuida malandro!!" O sujeito me deu as costas e saiu fedendo!! 
                                 Anos depois, quando mudei para o endereço no centro da cidade, não pude traze-lo junto comigo, pois lá, já tinha um outro cachorro, da raça Fila (Magnum I). Então minha irmã Anelise, ficou com ele. O destino lhe foi tão generoso, que não poderia ter ganho um lar melhor. Até na cama ele dormia!! Foi tratado com pão-de-ló e mingau até o fim.
Minha sobrinha Marina coordenando a matilha. Da esquerda para a direita: Brenda, Duque, Dart. Foto tirada em Abril de 2004.
                                 No verão do ano 2008, no mês de fevereiro, dia de um calor insuportável, foi a vez em que, assim como agora, escrevendo estas linhas, colocou lágrimas em meus olhos. Digo com certeza e propriedade, sem sobra de dúvidas, naquele momento o melhor Dart que tive na vida, se foi!
                               Já estava quase cego, as patas traseiras quase não mexia mais. Morreu sem dar um gemido. Naquele dia, simplesmente se recolheu ao fundo de sua casinha e de lá não saiu mais.
                               O destino quis , que quem o achasse no seu último cantinho, momentos antes de sua morte, fosse eu! Dia de muita tristeza para mim. Foi um verdadeiro guerreiro! Por muitas vezes me protegeu sem ao menos pedir algo em troca. Muito mais que um cachorro, por inúmeras vezes, foi humano! 
                                 Meu amigo DART, dedico estas poucas linhas em tua homenagem!

                                 Na próxima postagem conto sobre o Galaxie Landau 1979 Azul 

sábado, 30 de novembro de 2013

Ford Galaxie Landau 1982 Azul

                     

                         Na primeira metade dos anos noventa eu tinha praticamente tudo em peças do dodge, raras foram as vezes em que um cliente saiu sem levar o que precisava. Assim como não deixava cliente algum sem peças, também eu não precisava nada para meus dodges! Entretanto, as vendas já não eram mais tão boas como nos anos oitenta, os clientes de outrora, com poder aquisitivo maior, eram raros. A grande maioria já os tinham vendido e comprado carros mais novos.
                         Mas como diz o ditado: "Quando fecha-se uma porta, automaticamente abre-se outra". E a nova porta, naquele momento, eram os Galaxies! Paralelamente a diminuição dos bons clientes de dodge, com potencial, apareciam semanalmente novos com Galaxies. Estes, ainda na época, um filão à ser explorado imediatamente.
                         Comecei então uma caçada as peças destes carros, assim como carros inteiros para serem desmanchados. Naquela época foi tarefa fácil, muito mais do que dodges, os Galaxies eram abundantes em qualquer lugar. Se comprava carros razoavelmente bons, rodando, por preços irrisórios.
                         Alguns dias após ter comprado os dois Ford que narrei na postagem passada, recebi a visita de um amigo na antiga oficina. Entre assuntos diversos, me contou que tinha estado alguns dias antes em um casamento na cidade de Porto Alegre. Antes do início da cerimônia, resolveu caminhar pelos arredores da igreja, e, em instantes, ficou surpreso com o que viu! No fundo do terreno da mesma, um Galaxie Landau abandonado. Ainda comentou com sua companheira na época,"será do padre"?? Mas irrelevante para ele, assim como para a grande maioria da sociedade na época , acabou esquecendo e voltou para dentro da igreja.
                          Eu, semanas após, ao saber da história, pensei, quando fosse à Porto Alegre novamente, o que era semanalmente, daria uma passada lá para ver o carro e tomar ciência do fato.
                         Alguns dias depois estava eu em frente  a igreja, olhei da calçada, nada se via! Ao lado tinha uma passagem de carro que mais parecia uma trilha, mas sem que pudesse acessar visualmente o fundo do terreno. Como não tinha ninguém, igreja toda fechada, cautelosamente entrei e fui em direção aos fundos. Após percorrer toda trilha, seguindo o trilho do carro, cheguei ao final da construção e pude vislumbrar a viatura.
                         O carro estava encoberto com uma lona, com a placa tapada e chaveado. Me aproximei,  puxei o canto da lona, a fim de destapá-lo, pelo menos em parte, para que eu pudesse vê-lo. Até então não notei nada de estranho, achei ate normal, pois ninguém iria deixar um carro bom, ao ar livre, sofrendo ação do tempo e aberto.
                          Continuei minha investigação, e, para meu espanto, percebi que se tratava de um excelente carro! Apesar de estar muito mofado por baixo da lona, aparentando claramente estar ali por muitos meses, a pintura do carro mostrava estar ali um carro original! Estofamentos novos, cromados perfeitos, pelo que pude ver, por dentro seu estado era impecável. Neste momento eu já "trocava as orelhas"!! Como pode um carro assim estar abandonado?? Então, analisando os fatos, já ponderava a possibilidade de que o grande automóvel pudesse estar ali escondido, e não guardado!! E o mais intrigante, mais estranho,  estar ao fundo de uma igreja!!
                          Continuei então a analisar o carro externamente, seguia levantando em pequenas partes a lona que o cobria. Cada vez mais ficava impressionado e também intrigado, sem imaginar que o mais surpreendente estaria por vir.  Quando destapo a parte traseira e olho a placa do carro, quase caio duro!! Município : Taquara - RS. Caiu a casa!!! O que este carro estaria fazendo lá??  Minha cabeça não parava mais de pensar nas probabilidades em que aquilo pudesse acontecer.
                          Bom, naquele instante eu tinha só uma certeza, queria descobrir de quem era aquele carro e como foi parar naquele local. Tapei o carro novamente e sai a procura do padre. Só ele poderia ter e dar respostas as minhas indagações.
                          Ao lado do prédio da igreja havia uma casa, pensei, provavelmente seja a casa canônica. Bati na porta e em instantes um guri me atendeu, ao certo um coroinha! Lhe perguntei pelo padre e este logo foi chama-lo. Veio o mesmo e perguntou-me: "Confissão??" Eu lhe respondi: "Não! Muito pelo contrário, eu preciso de uma confissão sua!!" Ele arregalou os olhos e para quebrar o gelo comecei a rir.
                          Depois de um pequeno bate papo e apresentações, lhe fiz a pergunta que não calava em minha consciência: "Padre, poderia me dizer se este galaxie que está aí ao fundo é seu?? Se não, poderia me dizer de quem é?? É que sou da cidade de Taquara, trabalho com peças destes carros e gostaria de compra-lo. E coincidentemente ele também é de Taquara, fiquei curioso!! "
                         Ele foi solícito e logo me explicou alguns detalhes do carro. De imediato disse que não era dele, mas sim, de um "fiel" de sua igreja. Este, como não tinha espaço para guarda-lo, lhe pediu o canto por algum tempo. Como expliquei que tinha interesse na compra, ele passou o nome e endereço do "proprietário".
                          Instantes depois estava eu rumando ao endereço passado pelo sacerdote católico. Ao chegar no destino, encontrei uma oficina mecânica, a qual, já havia eu estado antes, comprando peças de Galaxie. No momento me ocorreu uma confusão mental!! Na bendita oficina havia lugares sobrando para o galaxie ser guardado, porque o homem pediu ao padre um local??
                          Entrei na oficina e logo lembrei da fisionomia do homem atendendo no balcão. Claro, já havia estado lá antes. Após poucas palavras lhe perguntei a respeito do galaxie do fundo da igreja.  O sujeito fez cara de espanto imediatamente! Me respondeu com outra pergunta: "Porque quer saber?? Quem tu é?? Perguntou ele em um tom de voz seco e arrogante!
                          Naquele momento pensei, "tem caroço neste angu"!! Para não levantar desconfiança naquele homem, me fiz passar pelo meu amigo, o que esteve no casamento um tempo antes. Lhe expliquei que estive na igreja em um casamento e vi o Galaxie, posteriormente perguntei ao padre e ele me deu o endereço. Simples assim!! Ainda desconfiado, perguntou-me de onde eu era, lhe disse que da cidade mesmo ( Porto Alegre) Se falasse que era de Taquara acho que seria corrido a bala do local!
                           Muito a contra gosto e sem dar explicações contundentes, ele disse que o carro não estava à venda, era "seu", e o motor estava na oficina sendo retificado. Assim que tivesse tempo disponível iria re-colocar o motor e vender o carro. Nada mais disse e praticamente me mandou embora.
                          Naquele momento, ao sair da oficina, tinha comigo apenas uma certeza: " Havia algo bem errado com o Landau azul!" Mas nada mais havia  ali que eu pudesse fazer, e, muito menos em Porto Alegre. Minhas investigações agora seguiriam em Taquara.
                            Por dias e dias tentei descobrir quem haveria de ser o verdadeiro proprietário daquele carro, perguntei para quase todos os habitantes da cidade e nada. Ninguém sabia o histórico do galaxie misterioso da igreja.
                           Mas, como o destino conspira por caminhos misteriosos, a verdade veio a mim, posta em uma bandeja. Tinha um cliente aqui da cidade, hoje falecido, fabricante de piscinas e muito rico. Ele, assim como eu, era também apaixonado  por galaxie! Este tinha um casal de filhos, sendo que a filha era casada. Ela e o genro trabalhavam com ele no negócio das piscinas.
                           Em uma das tantas visitas que me fez na oficina, não perguntem porque, lhe contei toda a história do galaxie da igreja. Este, olhou para mim e disse impressionado: Eu conheço este carro!!! Foi meu um tempo e depois passei para meu genro!!  Onde está este carro??? Me perguntou!! Contei-lhe detalhadamente toda a história, sem deixar de narrar uma vírgula! Ele, a cada palavra minha, cada detalhe que contava, ficava mais impressionado! Apenas murmurava e rangia os dentes. Após terminar de lhe falar o que sabia, pedi que me contasse a história toda.
                           Vou me abster dos impropérios ao qual meu cliente retratou o dono da oficina em Porto Alegre, mas a coisa era feia! Começou dizendo que se tratava de caso do polícia!!
                           O relato foi mais ou menos assim:
                           Logo que recebeu o Landau do sogro, o genro, constatando  que o mesmo queimava um pouco de óleo, resolveu reformar o motor. Então como ele (genro) era natural de Porto Alegre, entrou em contato com alguns amigos que lhe informaram a bendita oficina, sendo como especializada em Galaxie! Dias depois o carro foi enviado aquela cidade para reforma geral do motor.
                           Segundo contou meu cliente, foi acertado um preço e também estipulado prazo para realizar serviço. Sendo que 50% do pagamento seria na entrada do veículo e o restante quando fosse retirar. Meses depois, após exaustivas visitas ao local a fim da retirada do carro, com motor refeito, o mesmo não estava pronto.
                           Das inúmeras  alegações da oficina, primeiramente, foi quanto a dificuldade em conseguir algumas peças. Posteriormente, após esta alternativa não ter minimo fundamento, o bendito mecânico alegou falta de tempo por acúmulo de serviço. E assim foram passando dias, semanas e meses, sem que o trabalho fosse concluído. Por fim, depois de esgotadas todas as possibilidades amistosas por parte do contratante, este tentou retirar o carro, mesmo com o motor desmanchado. Ou seja, resgatar o galaxie  sem reforma do motor e leva-lo a outra oficina para o término do serviço.
                           Quando esta possibilidade foi proposta  pelo genro do meu cliente, o mesmo foi severamente aviltado pelo dono da oficina! Usando a alegação de que estava esperando a entrada do dinheiro proposto no início!!! Só assim o mecânico daria andamento na reforma. Se instaurou um grande bate boca, quase levando as vias de fato! Resultando assim, depois disto, o dono da oficina lhe disse que naquele momento só iria dar seguimento no serviço, ou mesmo entregar o carro nas condições em que estava,  após receber toda a quantia, antes mesmo da entrega do carro!!  Ou seja, o dono da oficina estava cobrando por duas vezes a primeira parcela da reforma, juntamente com a segunda parcela combinada!!                                   Seguiu-se a isto  uma grande discussão entre as dua partes, ocasionando promessas de questões judiciais por ambas! De um lado sendo cobrada a totalidade do pagamento e de outro a conclusão e entrega de serviço realizada.
                            Segundo meu cliente, por diversas vezes houve tentativas frustradas da retirada do carro, ate mesmo abrindo mão dos 50% pagos na entrada. Por duas vezes foi mandado guincho à Porto Alegre e em nenhuma delas o mesmo voltou com o carro.
                            Para piorar ainda mais a pendenga, na última vez que o genro do meu cliente esteve na oficina tentando um acerto para retirada do carro, o dono da oficina negou a existência do carro!! Dizendo que não o conhecia e nunca tinha sequer visto tal carro, assim como as várias pessoas do guincho que estiveram lá para a retirada do mesmo.  Esta foi a história passada a mim pelo dono do carro! Para mim, coerente, pelo simples fato de que o carro tivera sido escondido.
                            O que aconteceu realmente eu não sei, mas o que posso afirmar de concreto é que o dono da oficina escondeu o Landau nos fundos da igreja. Dizendo para mim mesmo como testemunha, primeiramente que o carro era dele, depois alegava desconhece-lo.
                           Meu cliente,  após esta narrativa dos fatos lá na minha oficina, foi embora dizendo que iria resolver a pendenga a sua maneira.
                            Passados mais ou menos um mês, recebi uma ligação do genro do meu cliente, oferecendo o carro. Fiquei animado, disse a ele que tinha interesse na compra, mas não sabia como desenrolar aquela trama toda. Na mesma hora ele disse que o carro estava em Taquara , nos fundos da fábrica de piscina, se eu quisesse poderia ir ate lá e fecharíamos negócio. Assim fiz e comprei o carro, sem motor.
                           Meses depois, um pouco antes do meu cliente falecer, em uma conversa na minha oficina, me contou que após saber do paradeiro do carro por mim relatado, mandou um guincho à Porto Alegre! Este, levando consigo e de posse dos documentos do Landau, foi ao pátio da igreja e carregou o carro. Em que circunstâncias este fato teve desdobramentos, não sei, mas o carro veia à Taquara e nunca mais saiu daqui.    
                           Está aí uma foto do mesmo, no canto direito
             
                         Este para-lamas foi o que sobrou atualmente do Galaxie



                           Na próxima postagem, um Dart Amigo

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Galaxie Landau 1979 azul - Galaxie LTD 1977 marrom

                                                    Esta postagem é à pedido.
                           Por mais que as pessoas tentem imaginar a relação que tive, e tenho até hoje, com os dodges durante os trinta e poucos anos que passaram, acho improvável, e, até mesmo impossível, que alguém vislumbre a real dimensão disto na minha existência.
                         Durante este tempo todo, que pode até ser considerado por muitos um ciclo da vida, quando paro e peso a co-relação Dodge(automóvel) e Peças Dodge (Mopar), a gangorra despenca e se torna infinitamente desproporcional!! Mesmo quando  imagino o tanto de carros que passaram por mim, inclusive os de clientes, as peças, tiveram um peso muito maior, alem do imaginável!
                            Quando ponho a cabeça para funcionar, e tem de ser muito para escrever aqui, e começo a lembrar do que passou entre as minhas mãos, me dá um misto de alegria, saudade e até tristeza! Digo isto pelo que foi a abundância nos anos passados. Exemplo não raro é quando hoje estou fazendo algum serviço qualquer e preciso de um parafuso, seja ele qual for, vou a procura deles em diversos vidros, baldes e latas que os coloquei no passado. Ali nestes recipientes, assim como parafusos diversos, ainda dormem verdadeiras preciosidades (para mim) em termos de dodge.
                           Conforme vou catando os parafusos que preciso, sem pensar, automaticamente vou separando alguns que por ventura vão aparecendo, aos quais, sei exatamente os seus lugares de origem no dodge. Isto é automático, sem pensar, minha mente age como se fosse um robô! Pode parecer engraçado, ou até mesmo doentio, mas é exatamente assim que eu faço. No final, acabo encontrando dezenas de parafusos do dodge, antes mesmo dos quais eu realmente preciso. Ocasionando um trabalho extra de limpa-los,  cataloga-los e posteriormente guarda-los. Que no final se torna um... exaustivo prazer!!






                              Toquei neste assunto fútil dos parafusos para que vocês consigam entender, de um modo simples, o que quero realmente dizer. Hoje, eu guardo tudo, tudo mesmo do dodge! No passado, a coisa era tão desvairada e absurda, que muitas e muitas coisas boas foram descartadas, até como lixo!! Houve uma época que somente tinha valor algumas peças do carro, acho que assim deve ser hoje em um ferro-velho normal, quase tudo vai fora. Só o que interessava eram algumas peças, muitos acabamentos como frisos principalmente, foram literalmente jogados fora.
                            Exemplo gritante disto aconteceu entre meados dos anos oitenta e os de noventa. Eu joguei muita coisa fora, principalmente nas mudanças de endereço da oficina. Uma vez, que lembro bem, foi quando precisava esvaziar um dos meus depósitos, na época falei com um amigo que trabalhava com sucata, ele foi até lá e olhou a quantidade de coisas que tinha para levar, se apavorou!!! Me disse que não tinha como levar, então me passou o telefone da siderúrgica  que ele revendia para que eu vendesse direto.
                            Assim foi feito, a empresa passou um dia inteiro carregando peças, ferragens, carcaças de carros e muito mais!! Coisa que agora eu nem gosto de lembrar. Ao final daquele dia, tudo pesado na balança, foram 16 toneladas de sucata!!! Sucata na época, hoje, ouro!! Naquela vez, se não me falhar a memória, somente de monoblocos de Charger, foram 7!! Darts mais um tanto, Galaxies uns 3 ou 4 e um Maverick V8. Meu Deus!!
                            E apesar de tudo isto, mesmo as peças sendo desordenadamente vendidas a quilo, ainda sobravam milhares de coisas. Na época existiam peças invendáveis, que, inclusive os lixeiros não levavam!! Algumas, por estarem em perfeito estado, fiquei com pena de colocar fora, outras dei de presente para desocupar lugar. Pensando nos dias atuais, o troço foi fenomenal, e ao mesmo tempo assombroso!!
                           Na metade dos anos noventa a palavra, ou melhor, o nome Dodge, significava quase nada, era um bem desprezível para quase totalidade das pessoas. As minhas peças poderiam ser consideradas quase lixo. Na verdade valiam exatamente o quanto pesavam, em quilo!! Inúmeras foram as pessoas que me achavam louco, outras indagavam incrédulas de o porque de guarda-las!! Muitos não acreditavam como eu conseguia dar conta dos meus encargos, e não estavam errados!! Minha liquidez financeira era péssima!! Mal e mal conseguia pagar as contas.
                           Mas, quase sempre nadando contra a correnteza e contra a opinião de todos, assim mesmo, guardei alguma coisa, não tem explicação coerente para isto que não o destino!
                          Aí, naturalmente, aconteceu uma coisa que hoje não sei se me mato, dou risada ou choro, foram as múltiplas utilidades que encontrei  para algumas das benditas peças. Como não valiam nada e também não era nada fácil vende-las, acabei achando destinos engraçados para várias delas. Algumas adaptei em outros carros, outras fiz coisas (bem) diferentes.
                            Que lembro agora, por exemplo:  
                            Polias do motor viraram pés de abajur - Eixos cardan que viraram cambão para rebocar carro (e como rebocou este cambão) -  Capô de Dart que virou mesa - Barras de torção da suspensão dianteira viraram divisórias da churrasqueira para colocar espetos -  Travessas do chassi do galaxie viraram vigas de paredes ( Minha irmã Anelise tem dois chassi de Galaxie dentro das paredes na casa dela.) - Diferencial de Dodge completo, virou eixo de reboque -  Feixe de molas traseiro, reboque também - Tecido dos bancos do Magnum, viraram chaise ou chesi, não sei ao certo, e sei lá quantas coisas mais eu fiz com peças de Dodge e Galaxie








Ainda hoje o reboque da esquerda tem diferencial completo, inclusive caixa satélite com coroa pinhão

                            E assim por diante, várias foram as utilidades encontradas na época. Loucura?? Hoje acho que sim, mas no passado o lixo virou utensílio doméstico, e até de construção! Por isto dou tanta importância para elas nos dias atuais, coloquei muita coisa fora, mas muito do que sobrou foi a duras penas. Tenho quase certeza de que outra pessoa não teria guardado nada!  
                                       
                        Vinte anos atrás, tinha um cliente que a tempos tinha um Landau 79 para restaurar, claro, estou falando no início dos anos 90. O carro foi comprado por ele naquela época em estado digamos ruim, por um preço irrisório. Este cliente, desde que o tinha comprado nunca havia dado sequer uma volta, o Landau estava parado em um galpão a alguns anos, aguardando a hora de ser reformado. Neste tempo todo em que o galaxie estava parado, este senhor e eu mantínhamos tratativas na restauração do carro.  Mas o tempo foi passando e acabamos por nunca chegar a um consenso, principalmente em vista do preço que eu lhe havia pedido para a realização de tal serviço.
                      Durante um bom tempo, este cliente comprou peças e mais peças de reposição do galaxie, inclusive minhas, as quais posteriormente iria usar quando chegasse a hora da reforma do carro. Comprava e guardava tudo em uma garagem, queria que quando iniciasse a reforma, não precisasse comprar muita coisa.
                      No decorrer deste tempo, entre muitas coisas, vendi a ele uma frente inteira de um galaxie. Para-lamas dianteiros, três portas, para-choques, frisos e mais uma infinidade de coisas.
                      Chegado o dia que resolveu iniciar o serviço, e como não nos acertamos no preço da reforma, ele contratou os serviços de uma outra oficina e levou o galaxie para lá. Nos meses em que o carro estava sendo feito, o meu cliente seguidamente vinha até minha oficina para pegar algumas peças e me contar como o serviço andava.
                 Durante as periódicas visitas que me fazia, meu cliente perguntava certas coisas. Vim a saber mais tarde, que ele estava descontente com o andamento do serviço. Perguntava coisas básicas para tentar entender se o funileiro que tinha contratado estava no caminho certo. Acreditem, eu sempre saindo pela tangente. Afinal, ninguém gosta que outros falem da gente, ou questionem o nosso serviço. Então, sempre procurei me abster de certos comentários. Para piorar as coisas, algum tempo depois fiquei sabendo que esta oficina que meu cliente havia contratado, era de um cunhado seu.
                       Passaram-se meses,  mais de um ano, e o carro não ficava pronto. O meu cliente estava para lá de desgostoso. Chegando ao ponto dele vir na oficina só para falar mal do cunhado e dizer que se arrependimento matasse, ele estaria morto. Que quem deveria ter feito o serviço, era eu. Eu, modéstia a parte, tentava apaziguar o ânimo dele, nunca fui de colocar "mais fogo em lenha seca". Até porque, se eu falasse coisas que não deveria, poderia sobrar para mim. Sabem como é! Eu falo de outra pessoa para alguém, este alguém vai lá e diz que eu falei dele, e tudo vira uma bagunça! Tô fora!
                        Bom, resumindo a história, passados quase dois anos depois de iniciada a reforma do galaxie, meu cliente retirou o carro da oficina do cunhado. O primeiro lugar em que ele foi com o carro "pronto", foi na minha oficina. Fiquei de boca aberta com a qualidade da reforma, sem dizer muita coisa, mas horrorizado!! Teria sido muito melhor se o landau não tivesse sido restaurado. Como estava antes, estava melhor. Não precisei dizer nada disto para meu cliente, porque qualquer pessoa, por mais leiga que seja, via o péssimo serviço. O carro tinha ficado um lixo!
                         Bueno, era visível o descontentamento do meu cliente. Passado mais um tempo, um ou dois meses, ele retornou a minha oficina oferecendo o landau. Tinha se desgostado a tal ponto, que queria me dar o carro pelo preço que fosse. Acabei comprando o galaxie pelo mesmo valor que meu cliente tinha pago três anos antes, sem correção ou ágio algum. De lambuja, comprei outro galaxie, um LTD, que ele havia comprado um ano antes para tirar peças para o landau. Portanto, comprei os dois galaxies.
                       Acreditem, o LTD, que era para tirar peças, era mais bonito que o landau reformado. Por isto eu digo sempre, as vezes um carro original bem surrado, é muito mais inteiro e bonito que um mau reformado.
                           Procurei agora à tarde lá no meu depósito de latarias se achava algum resto mortal destes dois falecidos, achei apenas um pára-lamas. Como não tirei fotos deles, fica em branco. Segue algumas que tirei hoje.












                          Na próxima postagem Landau 1982 Azul claro

sábado, 21 de setembro de 2013

Dodge Gran Sedan 1977 Branco Valência

                      Minha vida hoje tem uma rotina diária quase cronológica, principalmente agora que trouxe uma parte das minhas tranqueiras aqui para casa! Salvo em um caso excepcional, na parte da manhã não saio mais de casa, almoço ao meio dia e em seguida tiro uma pestana. Na parte da tarde vou ao correio postar minhas vendas, saindo dali vou direto para o café na casa dos meus pais, este sim, é obrigatório, todos os dias, eu adoro e não troco por outro programa!
                      Nesta semana que passou, durante um destes cafés, não lembro bem como, mas o assunto que entrou em "pauta" remeteu ao dia 03/05/1986, foi um sábado de muito sol, que jamais esquecerei!   
                     Naquela época eu também tinha uma rotina, mas muito diferente da de hoje. Passava a semana toda trabalhando, estudando e... saindo todas as noites, sem exceção, com os amigos. Era uma vida folgada, apesar da chatice obrigatória de ir à faculdade!! 
                      Bom, apesar de tudo de chato que o dia apresentava, logo que caía a noite, o prazer da companhia dos amigos vinha como um elixir da felicidade. Por mais que eu possa rir e me divertir nos dias de hoje, jamais chegará aos pés daquela época. Barrigadas de risos adolescentes! Pensando hoje, aquilo era surreal! Na época era corriqueiro e tão comum que não parava para pensar que um dia aquilo tudo iria acabar. A vida de cada um de nós, seguiria um rumo diferente, cada amigo seguiria um destino alheio ao outro, teriam suas próprias famílias, seus filhos, suas esposas e mesmo que para melhor, ou pior, tudo muito diferente.
                         As vezes eu pergunto a mim mesmo: Como aquela turma se aturava todas as noites?? E sempre com novidades para contar um ao outro?? É inexplicável!!! Era como um casamento de várias pessoas, que trabalhavam o dia e se encontravam à noite, e pior, ou melhor, sem brigas! Só, e, exclusivamente, parceria e alegria! Provavelmente o céu seja assim!  
                        Bom, naquela semana, durante um dos encontros noturnos, combinamos de todos irmos à praia de Xangri-lá no sábado, vejam bem, para jogar taco na beira de praia! Que coisa absurda!! Eu como sempre andava pela "bola 8" em casa, não confirmei que iria. Por mais que eu tentasse andar na "regra", e achava que andava, meu pai não achava!! Portanto, apesar de fazer exatamente o que eu queria e tivesse vontade, eu tinha certas limitações!! kkkk Até porque eu morava na casa deles, e sem dúvida, tinha que seguir as regras, ou ao menos tentar. Talvez se meu pai não tivesse agido assim comigo naquela época, eu não estaria aqui escrevendo hoje.   
                            A semana foi seguindo e eles (meus amigos) fazendo planos para o final de semana, eu só escutando e me mordendo de vontade de ir junto. Eles contando certo da minha ida nem tocavam no assunto. Na sexta à noite afirmei para eles que não iria na manhã seguinte, a coisa tava pesada lá em casa!! Tinha prometido para o meu pai que ajudaria ele em certos afazeres e não "poderia" negar! Todos caíram de pau em cima de mim: "Tu vai, tu vai...! Mas não tinha como, 
                             Todo sábado de manhã minha rotina era ir ao centro da cidade, e naquele, não foi diferente. Fui e encontrei alguns conhecidos, conversa vai, conversa vem, me perguntaram: "Cadê tua turma??"Contei à eles que aquela hora meus amigos já deveria estar na beira do mar, jogando taco e dando muita risada!! Um destes "animais" que estava comigo naquele momento disse: "Vamos prá lá?? Eu disse, não posso!! Tenho certas coisa por fazer que são importantes."
                                Um pouco depois fui para casa, chegando lá só encontrei minha irmã mais nova e perguntei por nossos pais.  Tinham saído e só voltariam à tarde!! Pensei... vou pra praia jogar taco!!!! Voltei ao centro, re-encontrei o camarada e falei, vamos!!! Partimos rumo a felicidade!!
                               Cerca de duas horas depois estávamos todos na beira da praia, o jogo rolando e as conversas fluindo normalmente. O dia passou e lá por volta das 16hr disse ao pessoal que tinha de voltar. Lembro como se fosse hoje, eles clamaram, veementemente, para que eu ficasse lá e voltasse no domingo com eles. Eu só pensando nas consequências, saí sem avisar, e dormir fora de casa?? Impossível!! 
                                Mas, certos ou não, meus amigos estavam cobertos de razão, explico porque: A nossa turma toda, não bebia, não fumava, por mais que possa não parecer, eramos todos ótimas pessoas. Apenas queríamos  nos divertir sem compromisso ou responsabilidade alguma. Em contra partida, o sujeito que tinha me levado, ou seja, que fui de carona até Xangri-lá, era um tomador de trago ao extremo!!! Bebia como uma esponja! E naquele momento já era visível sua embriaguez. Meus amigos, temendo pela minha integridade, pediam para que eu ficasse. Eu não podia ficar.
                                   Segui viajem de volta! Na saída da cidade, o elemento parou o Passat eu que nós estávamos em frente um bar, desceu, e em seguida voltou com uma sacola onde tinham umas dez garrafas de cerveja. Eu, muito cabeça oca na época, não falei nada! Ao invés de pedir a direção e voltar tranqüilo, deixei ele dirigir. 
                               Bom , a viagem foi tensa, ele tomando aquelas cervejas no bico!! Após a garrafa estar seca, atirava-as  pela janela!!!!! Isto não podia terminar bem... e não terminou!!
                                Quando chegamos na divisa de Osório com Santo Antônio da Patrulha, em uma reta, apenas separadas por aclives contrários, ou seja, nós subindo de um lado, um caminhão subindo de outro, em sentido contrário, inevitavelmente nos cruzaríamos sem problemas. Tudo seria normal se um bendito Chevette não estivesse ultrapassando o caminhão, ou melhor tentando ultrapassar o caminhão! Deu a lógica!! No topo da lomba o encontro foi inevitável!!!
                                 Meu companheiro na direção, cheio de trago, não teve perícia, reflexo, ou seja lá o que for, para desviar nosso carro para o acostamento. Daria tudo certo, não fosse o maldito trago! O estouro foi grande!! Lembro nitidamente o ocorrido. Eu não acreditei na batida até que aconteceu, era um dia quente, estava com meu braço para fora da janela no momento do impacto, e sem cinto! 
                         Resultado?? Voei como um foguete em direção ao pára-brisa, o Húmero do meu braço direito foi estilhaçado pela ventarola e coluna do teto do Passat, minha cabeça quebrou o pára-brisa e não voei para fora do carro porque meu braço segurou!! Que momento!!! Após o impacto lembro nitidamente minha tentativa de sair do carro, quando tentei usar minha mão direita para abrir a porta, ela não respondia. Daí percebi, entre o sangue que jorrava da minha cabeça, meu braço destruído!!
                            Usei minha mão esquerda para acionar o trinco da porta e com o pé chutei ela para poder sair. Neste exato momento apareceu um senhor, agricultor, que roçava uma terra ao lado do acidente. Ele olhou para mim muito assustado, eu ao olhar para ele perguntei: "Como estão meus dentes?? Não sinto nada!!" Ele respondeu: Não sei, só vejo sangue aí dentro, mas não te preocupas, está tudo bem!!"
                            Naquela hora pensei que tinha quebrado todos eles, pois passava a língua pela boca e sentia  muitos caroços, aos quais achei, fossem meus dentes, todos quebrados, mas na verdade eram cacos de vidro!!! Imediatamente encostou um carro ao nosso lado, um Monza, eu acho, não lembro, tinha uma família dentro. O homem na direção desceu, me segurou, pediu que a esposa sentasse no banco de trás com suas crianças, e me conduziu ao banco do carona. Só lembro dele dizer, vem amigo, vou te levar para o hospital. Minha cabeça não parava de sangrar, literalmente jorrava sangue!! Disse à ele, não!! O teu carro vai ficar encharcado de sangue!!! Ele nada respondeu e eu sentei no carro. Lembro que imediatamente coloquei minha cabeça entre as pernas para que o sangue caísse apenas dentro do tapete, e assim foi até chegarmos ao hospital de Santo Antônio da Patrulha. 
                              Em frente ao hospital, antes de descer, olhei o tapete do carro, tinha muito, mas muito sangue. Meus tênis estavam vermelhos, encobertos!! Desci do carro quando já vinha uma enfermeira empurrando uma cadeira de rodas, à qual logo sentei. Olhei para o homem e agradeci: Muito obrigado!! Nunca mais vi esta pessoa, nunca tive a chance de rever este HOMEM, agradecer de uma forma correta o que fez por mim! Talvez ele ou algum familiar leia o que estou escrevendo agora , quero lhe dizer que minha gratidão é, e será eterna!!
                             Fui atendido por um médico plantonista, um castelhano, pois falava engraçado. Me deitaram em uma maca, me entupiram de injeções, até na testa, imobilizaram meu braço e costuraram todo meu rosto! Depois disto feito, me deixaram sozinho em uma sala, fria e escura! Pavoroso!! Algum tempo depois apareceu o médico me perguntando como estava, respondi que bem, só que com muita dor. Implorei à ele para engessar meu braço e me mandar pra casa!!! Ele respondeu, com naturalidade: SÓ DEPOIS DA FACA!!! Quase tive um troço!! Pensei, tá tudo perdido!!! Que vou dizer ao meu pai????????
                                 Algum tempo depois, não sei quanto, apareceram lá minha irmã Anelise e meu cunhado Ronaldo, me olharam e suas caras de espanto eram visíveis!! Perguntei pelo pai, minha irmã disse: Tá aí fora, apavorado!!!! Chorei naquela hora!
                                 Uma hora depois fui transferido daquele hospital para o de Taquara. Lá fiquei por exatos sete dias, saindo no sábado seguinte. Saldo da história, uma placa de platina de 12cm  no Húmero, 6 parafusos, 12 pontos no braço e 72 no rosto, e por incrível que pareça, todos os dentes!!. Mas voltei para casa, onde não devia ter saído no sábado anterior.  Obrigado pai, por tudo e ... desculpe... por tudo!

                                 Alguns dia atrás procurando algumas peças no enorme depósito que tenho na casa do meu pai, achei uma caixa toda empoeirada, dentro, cheio de manuais de proprietário!!  Estes, não tenho a minima ideia de como e quando eu os coloquei lá. Folhando alguns, achei interessante o lugar de onde alguns saíram, até de bem longe daqui. Trouxe tudo pra cá e coloquei junto à outros que já tinha aqui. Segue algumas fotos de alguns deles.












                     Este Gran Sedan da postagem da hoje, não sei se cheguei a andar com ele mais do que algumas voltas. Comprei, quase por obrigação, de um sujeito da cidade de Parobé. Comprei para desmanchar, mas no fim ele acabou ficando por anos no patio da casa do meu pai. No fim não piquei e vendi para outra pessoa Me admiro até que tirei fotos.







                     O preço?? Tenho aqui anotado: data da compra 01/08/1992, valor $1.000.000,00 (Um milhão ( de cruzeiros??) = US$ 215,00
                        Na próxima postagem Galaxie Landau 1979 azul e Galaxie LTD 1976 marrom, comprados juntos, do mesmo dono no mesmo dia!